Ergonomia e Qualidade de Vida por Eliane Marigonda

Nos últimos tempos a globalização da economia e o desenvolvimento tecnológico têm exigido de nós adaptações cada vez mais rápidas e com isso uma nova postura no âmbito ocupacional, afinal, as pressões por produtividade e capacidade competitiva que as empresas vêm sofrendo, tornam cada vez maiores as demandas de produtividade, iniciativa, conhecimento e inovação sobre as pessoas, desencadeando em muitos profissionais o aumento da carga física e mental, podendo levar o trabalhador ao adoecimento.

Sendo assim, a Qualidade de Vida no Trabalho passa a ser uma preocupação cada vez mais presente nas organizações, já que é nas empresas que o ser humano desenvolve uma parte muito significativa de sua vida: o trabalho. E por isso, nas empresas, cada vez mais, torna-se imprescindível a criação de estratégicas de saúde e bem estar para o entendimento das condições de plenitude do ser humano no trabalho.

Segundo Albuquerque e Limongi-França (1998), Qualidade de Vida no Trabalho é um “conjunto de ações de uma empresa que envolve diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para e durante a realização do trabalho”.

Trabalhar confortavelmente é importante para evitar e prevenir distúrbios da saúde. Mas também para melhorar a eficiência e a qualidade do trabalho. Surge assim a Ergonomia.A Ergonomia estuda os diversos fatores que influem no desempenho do sistema produtivo através da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) e procura reduzir as suas conseqüências nocivas sobre o trabalhador procurando reduzir a

fadiga, estresse, erros e acidentes, proporcionando segurança, satisfação e saúde aos trabalhadores, durante o seu relacionamento com esse sistema produtivo.

Ela faz o estudo das interações das pessoas com a tecnologia, a organização e o ambiente, objetivando intervenções e projetos que visem melhorar de forma integrada e não dissociada a segurança, o conforto, o bem-estar e a eficácia das atividades humanas.

Segundo a Associação Internacional de Ergonomia (EIA) ela se divide em três campos específicos: Ergonomia Física, Ergonomia Organizacional e Ergonomia cognitiva.

A Ergonomia Física relaciona as características da anatomia, antropometria, fisiologia e biomecânica com a atividade física, englobando, a postura na execução das atividades, movimentos repetitivos, projeto dos postos de trabalho e manuseio de materiais.

A Ergonomia Organizacional relaciona as estruturas organizacionais políticas além dos processos, englobando o projeto e a programação do trabalho, o trabalho em equipe e a gestão da qualidade do produto e fundamentalmente a saúde e segurança do trabalhador.

A Ergonomia Cognitiva relaciona os processos mentais, como raciocínio, resposta motora, englobando carga mental, tomada de decisões, treinamento, estresse, assim como a interação homem-máquina.

Os profissionais praticantes da Ergonomia são chamados, Ergonomistas, sua função é de contribuir para o planejamento, o projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas para torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. Porém, não fazem este trabalho sozinhos necessitando da colaboração e conhecimentos de outros profissionais como, por exemplo: Engenheiros de Produtos e Processos, Médicos do Trabalho, Engenheiro ou Técnicos de Segurança do Trabalho, Fisioterapeutas do Trabalho, Psicólogos, Enfermeiros do Trabalho, Programadores de Produção, Gerentes e Supervisores, membros da Cipa e Manutenção e principalmente os próprios operadores e usuários.

Sobe a orientação de um ergonomista pode-se formar um Comitê de Ergonomia (Coergo), é este profissional que saberá dizer quem, quando e porque estes outros profissionais deverão ser convocados para ajudar na resolução dos problemas. O Coergo é uma poderosa ferramenta que possibilita a participação e envolvimento dos trabalhadores. Se as pessoas participam das tomadas de decisões, elas são capazes de experienciar a utilização de suas habilidades e discernimento. Como resultado, esse tipo de situação fornece às pessoas um sentimento de responsabilidade e comprometimento com a organização.

Não podemos esquecer também a participação do Fisioterapeuta do Trabalho e do Educador Físico neste processo de resgate e manutenção da saúde do trabalhador, com os Programas de Ginástica Laboral promovendo de maneira eficiente o relaxamento e distensionamento muscular, com foco nas posturas adotadas nos postos de trabalho, para execução das atividades e também nos estímulos motivacionais que irão combater o estresse mental.

Uma parte muito importante de um programa de prevenção é o treinamento/capacitação das pessoas a respeito dos princípios básicos da Ergonomia e do uso do próprio organismo nas situações cotidianas do trabalho e fora dele. Com foco na capacitação individual do trabalhador, visando seu aprendizado e conscientização corporal a fim de auxiliar no processo de resgate e manutenção da saúde no ambiente de trabalho é que JCT Consultoria em Qualidade de Vida nas Empresas desenvolveu um Treinamento de Ergonomia específico para essa necessidade empresarial.

Porém, entendemos que para que ocorra efetivamente a concretização de ações preventivas há necessidade de mudança de comportamentos e hábitos já cristalizados na vida das pessoas, que priorizam os objetivos técnicos e administrativos, deixando de lado os valores humanos que preservam e promovem a saúde. Não basta considerar só o trabalhar, mas sim, quem trabalha, por isso destacamos que a consciência do alto nível gerencial das empresas quanto à existência dos fatores de sobrecarga física e mental decorrente da gestão (da organização do trabalho), sem práticas de negação do fenômeno, é um dos pontos fundamentais para uma ação preventiva eficaz.

Por ter como objeto a adaptação do trabalho ao homem, a Ergonomia insere-se no contexto de recriação de uma organização, pelas suas experiências no estudo do trabalho, no desenho de postos de trabalho adaptados às necessidades do homem, tornando-se uma ferramenta de gestão empresarial.

As inovações tecnológicas são muitas, mas se não houver inovação na forma de gerir o trabalho, na forma de organizá-lo, ou seja, se não houver inovação na gestão do potencial humano da organização, estas passam a se descompensar e a se fragilizar. Desenvolver ações de capacitação e formação do potencial humano, este é o grande desafio a ser enfrentado por aqueles envolvidos na gestão do trabalho.

Eliane Marigonda, Fisioterapeuta com Especialização em Fisioterapia do Trabalho e Ergonomia é coordenadora dos Programas de Ginástica Laboral e consultora da JCT Consultoria em Qualidade de Vida há 05 anos.

Entenda porque a Ginástica Laboral pode contribuir com esta nova realidade
e diminua o SAT de sua empresa.